2017_09_09 Quanto muito, faço versos.



É difícil desenhar os Armazéns Abel Pereira da Fonseca sem recuar no tempo até uma das raras fotografias do Fernando Pessoa mundano. Qual seria o heterónimo que naquele dia foi fotografado?


Um dia, o meu sobrinho Carlos Queirós trouxe para casa aquele famoso retrato do Fernando a beber vinho no Abel Pereira da Fonseca (tirado pelo Manuel Martins da Hora) (...) Trazia uma dedicatória: «Carlos: isto sou eu no Abel, isto é, próximo já do Paraíso Terrestre, aliás perdido. Fernando. Dia 2/9/29» Achei muita graça, como é natural, e disse ao meu sobrinho que gostava de ter uma para mim. O Carlos disse-lhe, e passado pouco tempo ele enviou-me uma fotografia igual com esta dedicatória: « Fernando Pessoa em flagrante delitro.»
Escrevi-lhe a agradecer e ele respondeu-me. Recomeçámos então o «namoro». Isto em 1929. Eu já não trabalhava nessa altura e continuava a viver em casa de minha irmã no Rossio.
O Fernando estava diferente. Não só fisicamente, pois tinha engordado bastante, mas, e principalmente, na sua maneira de ser. Sempre nervoso, vivia obcecado com a sua obra. Muitas vezes dizia que tinha medo de não me fazer feliz, devido ao tempo que tinha de dedicar a essa obra. Disse-me um dia : «Durmo pouco e com um papel e uma caneta à cabeceira. Acordo durante a noite e escrevo, tenho que escrever, e é uma maçada porque depois o Bebé não pode dormir descansado.» Ao mesmo tempo receava não poder dar-me o mesmo nível de vida a que eu estava habituada. Ele não queria ir trabalhar todos os dias, porque queria dias só para si, para a sua vida, que era a sua obra. Vivia com o essencial. Todo o resto lhe era indiferente. Não era um ambicioso nem vaidoso. Era simples e leal. Dizia-me: «Nunca digas a ninguém que sou poeta. Quanto muito, faço versos.
»


Depoimento de Ofélia Queirós recolhido pela sua sobrinha-neta (Maria da Graça Queiroz) em 1978, para memória futura.



2017_08_26 Palácio da Mitra


O Palácio da Mitra em Lisboa foi erguido nos terrenos onde anos mais tarde funcionou o Albergue de Mendicidade da Mitra.

2017_07_17 Willys-Overland


A Willys-Overland foi uma fábrica de automóveis norte-americana que se tornou mundialmente famosa quando em 1940 venceu a licitação para construir, com a colaboração da Ford, o Jeep, destinado às linhas de combate do Exército norte-americano na guerra. O nome do veículo vem de general purpose, veículo de uso geral, abreviado para suas iniciais gp, pronunciadas em inglês como jeep. Até essa data produziu uns quantos "calhambeques". Alguns deles ainda se encontram em Portugal.

2017_08_15 Duelos no parque


 A Marilisa Mesquita e a Celeste Vaz Ferreira desafiadas para um duelo sem misericórdia num dos parque mais desconhecidos de Lisboa. As canetas ainda estão a fumegar ...

2017_08_14 Lisboa Oriental


Lisboa vira-se de novo para a zona oriental para continuar a renovação urbana que começou com a Expo 98. Um novo terminal de cruzeiros em Santa Apolónia, o projeto imobiliário no Braço de Prata, o futuro hospital central de Lisboa, as galerias de arte que acorreram para o local são apenas alguns dos exemplos da transformação que se está operar na zona.


Na envolvente da Biblioteca Municipal de Marvila podem-se ver muitas das obras produzidas durante a 2ª edição  do “Muro | Festival de Arte Urbana LX_2017” no contexto da iniciativa “Passado e Presente - Lisboa Capital Ibero-Americana de Cultura, 2017”.

2017_06_14 Biblioteca de Marvila



A Biblioteca de Marvila foi inaugurada em Novembro de 2016 e foi construída segundo um projecto que previa a construção de um edifício de raiz e que também preservasse a antiga Quinta das Fontes. Foi a pensar nesse contraste de estilos e na implantação do projecto nos espaços circundantes que os desenhos foram feitos.

2017_07_17 + 2017_08_03 Summer in the city


Summer in the city foi o primeiro nome que me surgiu para título desta publicação e é também uma canção da Regina Spektor que todos os Verões me vem à cabeça.
Por associação de ideias a música está sempre por perto. Sempre pronta para definir um ambiente para o pensamento.
Porque será que não dispensamos a nossa dose diária de música ou de qualquer outra das artes?

2017_07_24 Um carocha dos diabos


Quem pôs o nome de carocha ao Volkswagen acertou em cheio. Com as linhas arredondadas dum escaravelho é mais difícil de desenhar do que parece à primeira vista e o mínimo desvio paga-se caro. Um carocha dos diabos para desenhar ...

2017_07_24 Calcott


Calcott era o nome de um construtor de automóveis inglês de Coventry.
Este modelo está em Paço de Arcos numa loja de uma torre de apartamentos onde o Clube Português de Automóveis Antigos tem em exposição uma dezena de carros muito antigos, duas motos da segunda guerra, uma bomba de gasolina antiga e mais uns quantos objectos de época.

2017_07_20 Fiat 501


“A flecha do Rei”, assim chamado porque, na data, foi produzido exclusivamente para o Exército Real italiano.

2017_07_21 Chelas


Na página da wikipédia Chelas é uma antiga denominação para uma vasta área da freguesia de Marvila em Lisboa, situada na parte oriental da cidade.
A urbanização de Chelas foi concebida para a residência de pessoas essencialmente ligadas em termos profissionais a sectores do Estado. No entanto, o Plano acabou por nunca vir a concretizar-se da forma como foi idealizado, por um lado, devido à demora da Câmara Municipal de Lisboa em adquirir os respetivos terrenos aos particulares para construção e por outro lado, devido às ocupações verificadas durante o Verão Quente de 1975, no decurso do 25 de Abril de 1974.
As mesmas ocupações, a necessidade de alojar pessoas vindas de bairros de barracas e da ex-colónias, bem como as políticas de realojamento, baseadas em bairros de habitação social (...) marcaram para sempre o destino de Marvila, tornando a zona numa espécie de gueto isolado do resto da cidade de Lisboa e esquecida durante muitos anos pelas entidades políticas.


2017_07_12 Ford T


Ford Modelo T Runabout de 1915.
A partir de 1913 Henry Ford implanta a linha de montagem e a produção em série.

2017_05_31 Teatro Romano



Visita guiada ao Teatro Romano de Lisboa durante a sessão do programa 10 x 10 com orientação da Guida Casella que nos falou sobre as técnicas de desenho arqueológico.  
Construído na época do Imperador Augusto, o Teatro Romano de Lisboa, ocupa a vertente sul da colina do Castelo.

2017_07_20 Ford Model A




O Ford Modelo A, foi o produto da fábrica de Detroit que Henry Ford fez suceder ao popular Modelo T. Foi apresentando ao público em 22 de dezembro de 1927.

2017_07_12 Austin Seven


Este Austin Seven pode ser visto na Exposição Permanente do Clube Português de Automóveis Antigos.

2017_07_10 Olaias



O conjunto habitacional da Encosta das Olaias é um marco da arquitetura dos anos 80 em Lisboa.

2017_07_11 Noite de Jazz

Terça-feira foi noite de Jazz na New Music School. Concerto de fim de ano com os alunos da escola.



10 x 10 Campo de Ourique


Foi no renovado mercado de Campo de Ourique que teve lugar mais uma sessão do 10 x10 com o Pedro Loureiro como instrutor.
A aposta em trazer para os mercados locais restaurantes com novas cozinhas mantendo um número reduzido de bancas tradicionais tem ajudado os comerciantes a resistir à crescente concorrência das grandes superfícies que começaram também elas a operar no mercado local com lojas de bairro.
Neste exercício era suposto desenhar o profissional (empregado de balcão), o produto e o cliente.

2017_06_28 10 x 10 Mercado da Ribeira



Sessão do programa 10 x 10 que decorreu no Mercado da Ribeira e que teve como instrutor o Nelson Paciência.

2017_06_21 10 x 10 Martim Moniz

O Martim Moniz foi o local de encontro para a sessão do 10 x10 orientada pelo José Louro sobre o desenho da figura humana. Uma pequena multidão tinha-se juntado para assistir às manobras radicais do dia mundial do skate e ao concerto que se seguiu.


O local não podia ter sido mais bem escolhido para encontrar pessoas de diferentes idades e de diferentes raças para o exercício proposto de desenhar segundo a figura fornecida para servir de modelo às proporções do corpo humano.

2017_06_17 10 x 10 Vila Viçosa


Em Vila Viçosa no programa de comemoração dos 10 anos dos urban sketchers que se realizou no Alentejo.
Visita à serração de mármore do César Valério que transforma os blocos de mármore trazidos das pedreiras das redondezas. Os blocos são colocados numa primeira máquina a talha-bloco que como o nome indica, talha o bloco em peças que são transferidas para a cortadeira. Daqui saem as pedras com as dimensões próprias para as várias aplicações do mármore. Para finalizar as pedras seguem para a polidora e posteriormente para a biseladoura que amacia as arestas vivas da pedra.

2017_06_07 10 x 10 na Praça do Comércio


A desenhar na Praça do Comércio na aula do 10 x 10 o programa comemorativo dos 10 anos dos Urban Sketchers.  O tema era Estátuas e Monumentos e o instrutor foi o Nelson Paciência.

2017_05_17 Palácio Nacional da Ajuda


Com o Nelson Paciência como formador decorreu no Palácio da Ajuda mais um workshop do 10 x 10 programa de comemoração dos 10 anos dos Urban Sketchers.
Dois desenhos para as duas propostas como eu as entendi. Desenhar um ou mais objectos do palácio contando a sua história e as sensações que eles nos despertam e um segundo desenho do ambiente onde esse objecto está inserido juntamente com um texto mais descritivo ou narrativo.
Oportunidade única para conhecer de perto as salas do palácio numa visita guiada pela história de Portugal e obrigado ao Nelson pelo empenho e entusiasmo com que conduziu a sessão.


2017_05_10 10x10 Lisboa


Arranque em Lisboa do programa de workshops de comemoração dos 10 anos dos Urban Sketchers.
O programa começou da melhor maneira com visita guiada à renovada redacção do Diário de Notícias. Sente-se no ar a pressão dos prazos a cumprir para fechar uma edição diária.
Fomos convidados a levar um objecto pessoal e construir uma notícia à volta dele. Por deformação profissional escolhi uma velha diskette já fora de uso para servir de reflexão sobre a transferência que fazemos dos nossos conhecimentos para os suportes digitais que já começam a estar alojados numa qualquer nuvem algures por cima das nossas cabeças.

2017_05_05 Edifício Norte Júnior


Mais um edifício abandonado e a ameaçar ruína. Será que vai cair?

2016_12_09 Farol da Gibalta


No final do ano passado fui contactado pela câmara de Oeiras para uma série de ilustrações, com traço urban sketcher. Uma delas para comemorar a abertura do novo troço do passeio marítimo que faz a ligação do Forte de São Bruno, em Caxias, à praia da Cruz Quebrada.
Com a obra ainda em curso, desloquei-me ao local com o Álvaro Carrilho, adjunto da Câmara para a área de comunicação institucional. O enquadramento seleccionado tem o farol recortado na paisagem, a linha de comboio, a linha de costa, o muro de contenção da marginal. Elementos com uma forte identificação do local e porque a ponte 25 de Abril pertence ao concelho de Lisboa aquele foi o local escolhido para terminar o enquadramento.


Para convidar à utilização do novo troço foi necessário acrescentar pessoas. Numa época de grande divulgação e expansão da corrida urbana ou running escolhi um corredor. Depois de algumas horas a pesquisar bancos de imagens encontrei a imagem que procurava. Encaixava-se na perspectiva da paisagem e estava de costas para o observador.



A imagem foi encontrada no banco de imagens 123RFNo momento de descarregar a imagem, que é grátis, um aviso lembra de que a menção do crédito do autor é sempre bem vinda. O meu agradecimento ao bokica pela imagem que criou e que serviu de modelo ao meu corredor.
Depois de um primeiro ensaio tinha o corredor delineado.



A seguir havia que o incluir no desenho entretanto desenvolvido. 


Para promover a utilização da ciclovia era também importante incluir um ciclista. Mais umas horas de pesquisa de imagens de ciclistas no google até encontrar esta imagem no site da associação que faz a defesa e promoção do bairro londrino de Fitzrovia num artigo sobre os perigos que os ciclistas enfrentam nas suas deslocações diárias. Gostei da trajectória em sentido contrário ao do corredor e do ar descontraído.




Depois de entregar os bonecos e do trabalho final de composição o resultado final foi este.
Obrigado ao Álvaro Carrilho pelo profissionalismo com que me acompanhou durante todo o processo.
 



E depois a implantação do painel exterior (outdoor).